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Relatório UOL

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Relatório UOL

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  1. Apresentação

Este relatório foi construído a partir da análise de notícias do veículo de comunicação Universo Online (conhecido pela sigla UOL), que é uma empresa brasileira de conteúdo, produtos e serviços de Internet do conglomerado Grupo Folha e foi criado em 1996 e funciona através do domínio (http://www.uol.com.br/).

Foram coletadas amostras de outubro, novembro e dezembro de 2016. Por meio de categorias desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa “Midiamigra- Observatório de Migração e Comunicação Intercultural”, foi feita uma pré- seleção com o auxílio das notícias veiculadas. As matérias foram classificadas a partir dos seguintes parâmetros: análise de categoria, valor notícia, apresentação da (o) personagem, existência de dados, se a matéria apresenta possíveis soluções, observações de posicionamento, teor das notícias, qual olhar, migração no Brasil, visão sobre migrante e visão inclusiva.

Foi estabelecido no método que as matérias seriam classificadas como categorias principais como: Diversidade (Manifestações e expressões culturais estão dentro desse universo); Cultura (música, gastronomia, eventos artísticos); Criminalização (matérias que relatem crimes cometidos por e com migrantes ou refugiados; matérias que relacionem migração e tráfico de pessoas); O Migrante Ideal (notícias que apresentem enquadramento positivo
sobre atuação de migrantes na sociedade brasileira); Preconceito/Xenofobia (notícias sobre violências/agressões cometidas a migrantes/refugiados; preconceito expresso por brasileiros a estrangeiros); e Trabalho (mão de obra
sem regularização e trabalhadores autônomos).

  1. Análise quantitativa dos dados

Foram analisadas 568 matérias através de uma planilha resultante da pesquisa realizada no site UOL, de palavras-chaves relacionadas à migração no Brasil no período de outubro, novembro e dezembro de 2016. Dentre essas, 563 foram descartadas por conterem assuntos relacionados à migração internacional ou conteúdos que abordavam outras temáticas que não eram diretamente interligadas ao tema, como modelos econômicos, relações diplomáticas, política de maneira generalizada, fora do país. Nessa análise foram selecionadas seis matérias por englobar a temática da migração no Brasil.

Observou-se assim, que todas as matérias foram realizadas em território brasileiro, sendo 67% (quatro matérias) com cobertura na região Sudeste, seguido de uma matéria na região Norte equivalendo 33%. Referente à produção da notícia, 40% foram realizados por agência de notícias nacionais, seguidas por 60% de repórteres, sendo uma predominância de homens (com 2 matérias) e uma produção feita por repórter mulher. Todas as matérias foram notícias informativas, não caracterizando com o gênero da reportagem. Totalizam-se 23 fontes, sendo 11 fontes oficiais, um especialista, e 11 personagens. Sobre as classificações de categorias principais, 60% ficaram como Diversidade, 16,5% não foram classificadas e 16,5% Trabalho. Entre todas as matérias, foi possível identificar uma notícia de condições análogas ao trabalho escravo.

 

  1. Análise qualitativa dos dados

Entre as publicações selecionadas do veículo, duas matérias abordaram a mesma temática com angulações parecidas, apesar de fontes e textos distintos. A matéria intitulada Campanha leva refugiados para passar o Natal com famílias brasileiras em SP e RJ, foi publicada no dia 17 de dezembro de 2016. Um dos seus objetivos foi explicar como funciona um projeto chamado “Meu amigo refugiado”, lançado pela ONG Migraflix, que tinha como objetivo sensibilizar famílias brasileiras no período do Natal, para confraternizar o momento festivo com famílias de refugiados no Brasil. A ideia da ação social era promover a integração de refugiados e imigrantes com brasileiros, fortalecendo assim ambas as culturas. O principal gancho da notícia, e sua relevância com a informação, foi relatar a partir da realização do projeto, a necessidade de integração social e econômica dessas pessoas vindas de outros países. A primeira entrevista é cedida pelo diretor do Migraflix, Jonathan Berezovsky, que explicou como a iniciativa obteve sucesso, mais de 500 famílias do Brasil se inscreveram para recebê-los e relatou o envolvimento de imigrantes para pensar a ação.

O texto reforçou ainda a necessidade da autonomia financeira de uma personagem chamada Muna Darweed. Uma mulher síria que veio para o Brasil para fugir da guerra e achou na gastronomia árabe uma forma autônoma de sustento da sua família. A matéria se preocupou em colocar o depoimento da personagem e ainda ouviu uma segunda pessoa, Olga Yavo, que também utilizou de um saber para traçar o caminho da autonomia econômica, em seu caso, o ensino de línguas. A matéria foi ainda ilustrada com dois vídeos, sendo um, a campanha produzida especialmente para falar do Meu amigo refugiado, e outro produzido pelo próprio UOL, que retrata em caráter documental depoimentos de sírios sobre como é viver no Brasil. As fontes falam de sentimentos, de saudades e de formas como foram recebidas nesse país, possivelmente pelo direcionamento mais humanizado da entrevista. É importante destacar que apesar de toda sensibilidade nas falas e na seleção das palavras para descrevê-los, a matéria em nenhum momento coloca refugiados e imigrantes em situação de desamparo social ou de vitimização por sua condição adversa de estar em outros países, na verdade ela propõe uma ação afirmativa e ainda retrata a importância desses laços interculturais. Classifica-se então, em sua categoria principal, como Diversidade, por retratar uma união entre culturas distintas, utilizar de artifícios como a gastronomia e o conhecimento em outras línguas para romper a barreira da diferença.

O texto Paulistanos fazem ceia de Natal especial para refugiados é muito parecido com a publicação anterior, mas foi publicado no dia 26 de dezembro de 2016, após o Natal, que acontece todo dia 25 de dezembro. O objetivo da matéria foi retratar como aconteceu a reunião dessas famílias, que apesar de personagens diferentes, podemos colocá-la como uma espécie de suíte do texto anterior analisado.

Na matéria do ‘pós-Natal’ descreveu a família de Fernanda Nunes, que soube do projeto Meu amigo refugiado através das redes sociais e que logo trocou e-mail com a família de Rula Karabitian, imigrante síria que também vive na cidade de São Paulo. O encontro foi descrito como um momento muito aguardado pelas duas famílias, com um destaque para a família brasileira, que descreveu o menu do dia e ainda revelou que compraram pimenta árabe com o objetivo de agradar a família convidada. A fala da família síria foi para retratar a dificuldade do filho em praticar o português pela falta de amigos e a vontade de Rula de trazer os pais para também viverem no Brasil.

Um ponto curioso a ser destacado no texto do repórter é que no momento em que a família brasileira vai ao encontro da família síria, no prédio dos anfitriões todos estavam na expectativa para a chegada, já sabendo do encontro das famílias. “Quando o noivo da anfitriã, o despachante Jean Carlo da Silva, de 33 anos, deixou o apartamento para buscar os convidados em uma estação de metrô, na zona leste da capital paulista, o prédio inteiro já sabia do encontro. ‘Olha lá, o Jean está indo buscar os sírios’, cochichou um vizinho”. Ao colocar isso no texto, o repórter destaca que o evento é uma novidade, algo novo a ser feito, a ser seguido e que todos guardavam expectativas sobre o caso; mas ao mesmo tempo pode reforçar que a solidariedade brasileira oferecida nessa troca necessitava de algum holofote, no qual até aquele momento, todos do prédio já estavam sabendo do que aconteceria ali. O texto foi classificado como Diversidade, ele reforçou que aquele contato que iniciou com o projeto pode continuar existindo. Retratou os personagens com suas características e reforçou que a troca é uma ação positiva. A matéria também foi ilustrada com uma foto com as duas famílias juntas de uma forma que não é possível identificar quem é sírio e quem é brasileiro.

Outra matéria analisada foi o conteúdo do UOL direcionada para a Folha de São Paulo, que faz parte do mesmo bloco comunicacional, publicada no dia 7 de dezembro de 2017 intitulada como Escolas no centro de SP viram refúgio amigável para filhos de imigrantes. Na abertura do texto, existe uma afirmação na qual coloca que filhos de estrangeiros imigrantes têm dificuldade de adaptação em escolas tradicionais de São Paulo. Apesar da realidade, a matéria destaca o Centro Promocional Dino Bueno, que está localizado perto de um lugar vulnerável da cidade (Cracolândia), mas que presta um serviço de excelência para educação inclusiva. O lugar é mantido pela igreja católica e atende bolivianos, haitianos, nigerianos, chilenos, entre outras crianças de diferentes origens. De acordo com a prefeitura de São Paulo 1.812 crianças estrangeiras estão matriculadas. Entre esses dados, a matéria apresenta falas de mães estrangeiras, que relataram a dificuldade em realizar matrículas nas escolas e do atendimento ruim fornecido por elas para explicar os documentos necessários. Mas em todas as demais falas, existe um destaque para a importância das trocas de experiências e culturas entre as crianças.

Apesar da matéria fria em todo o texto, um parágrafo situou o momento comemorativo que as pessoas se preparavam para o Natal, direcionando o leitor para uma galeria de oito fotos no corpo da matéria. Nela, mostra a festa criada pela escola e o recebimento de presentes como roupas e brinquedos pelo personagem do papai noel. As imagens retratam a descrição do texto sobre a variedade de crianças e a interatividade entre elas. A matéria faz um trabalho informativo, descrevendo as propostas do lugar.

Na matéria PF aumenta deportações em RR por cobrança da sociedade, o veículo enviou uma repórter para o Estado de Roraima para cobrir a deportação de venezuelanos do país. O texto foi publicado no dia 12 de dezembro de 2016 e abre com um dado julgando a importância da publicação – diz que em 2015 o estado deportou 54 venezuelanos e em 2016 até a data da apuração da matéria esse número estava em 445. A primeira pessoa a ser entrevistada foi o delegado da Polícia de Imigração do estado que diz ser uma ‘cobrança da sociedade roraimense’ e sua fala continua justificando que existe um grande impacto social e que venezuelanos estavam no sinal pedindo dinheiro. A segunda fonte da matéria foi a defensora pública federal Roberta Pires Alvim, que explica que a deportação em massa não possibilita o direito de cada pessoa se defender. O início da matéria é intercalado pela fala da defensora, que afirmou que no mesmo dia transportaram mais de 400 pessoas para a deportação e do delegado que diz que o transporte para a delegacia foi coletivo, porém ele fez uma breve entrevista com cada pessoa. A repórter também contextualizou com dados do Ministério da Justiça, que informou que entre janeiro de 2015 e setembro de 2016, mais de 77 mil venezuelanos entraram no Brasil pela cidade fronteiriça de Pacaraima e no mesmo período saíram pouco mais de 67 mil, significando assim que mais de 10 mil permaneceram. O prefeito da cidade foi entrevistado, informando também não concordar com a forma em que as ‘pessoas foram jogadas para a fronteira’. O professor Gustavo da Frota Simões, de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, também considerou as deportações negativas e disse que é a única política que se exerce no momento.

Nesse contexto, acredita-se que todo o processo de apuração da matéria foi momentâneo, seja por enviar uma repórter especialmente para apurar esses fatos, seja pela escolha das primeiras fontes a serem ouvidas. O critério noticioso foi a ação da polícia na deportação de massa, mas em nenhum momento existiu a fala de nenhuma personagem venezuelana/o para relatar o que estava acontecendo e não foi possível identificar na matéria a contextualização da situação venezuelana para o aumento desse fluxo. A matéria foi finalizada com um posicionamento vago do Ministério da Justiça, que ao ser questionado se teria interesse em construir um abrigo para acolher imigrantes, respondeu em nota que “não há essa expectativa”.

A publicação não foi colocada na análise em nenhuma categorização principal, uma vez que apesar das fontes relatarem problemáticas e pontos que apontem para a categoria de Preconceito, a atividade jornalística exercida não deixou claro esse viés. Foram entrevistadas pessoas relacionadas aos direitos humanos que entendem que a única solução para o problema não é a deportação em massa, mas também foi ouvida a parte que compactua e acredita que seja a solução momentânea do problema. Não deixando de observar a falta de personagens venezuelanos na entrevista.

A última matéria analisada foi SP: Ministério acha 33 haitianos sem salário e segurança em obra das Clínicas que foi publicada no dia 8 de dezembro de 2016. Ela informa que o Ministério do Trabalho notificou o Hospital das Clínicas de São Paulo por não pagar salários de trabalhadores da reforma da instituição. Entre 56 trabalhadores, 33 são haitianos e estavam em situações precárias de segurança e higiene.

Com um texto curto e uma notícia objetiva, as fontes ouvidas foram duas, o Ministério do Trabalho e o hospital denunciado pelos próprios trabalhadores. O interesse noticioso parte por mais da metade das pessoas serem haitianas. É colocado na matéria que alguns autos de infração são por questões também de direitos trabalhistas, como a falta do pagamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). A matéria foi categorizada como Trabalho, por se tratar de direitos básicos negados e uma relação promíscua de opressão.

  1. Observações finais

O site UOL, durante os meses de outubro, novembro e dezembro, procurou fazer uma abordagem positiva e de ações afirmativas em suas matérias direcionadas sobre imigrantes e refugiados no Brasil. Prova disso foi a predominância no relatório da categoria Diversidade. Em duas matérias,Campanha leva refugiados para passar o Natal com famílias brasileiras em SP e RJ e Paulistanos fazem ceia de Natal especial para refugiados, o conceito maior foi a interação. Uma característica importante dos dois textos foi que em nenhum momento foi discutido o Natal como uma data cristã e que não tenha significado em outras culturas, o que fez assim transcender para assuntos como a interculturalidade e conceitos implícitos como a alteridade. O veículo também mostrou como crianças podem ser acolhidas de forma inclusiva.

É relevante ressaltar que foi grande a quantidade de notícias encontradas no site (568), que falavam direta ou indiretamente sobre migrações de diferentes maneiras. Foi grande o agendamento noticioso internacional nesse período, por diversos motivos aparentes, como a campanha presidencial para o Estados Unidos, no qual o assunto imigração foi tema de diversos debates, como a crise de refugiados na Europa, por mudanças econômicas, por atentados terroristas e diversos outros assuntos que dão luz para a temática. Nesse sentido, é possível que um agendamento nacional também ocorra com os olhos internos sobre os fluxos migratórios no Brasil, uma vez que o jornalismo usa do artifício de pegar temáticas internacionais e traça-las no contexto nacional, para apurar e investigar como esses fenômenos acontecem aqui. Isso explicaria também a mudança de olhar na divulgação dessas ações afirmativas, uma vez que o agendamento internacional com o retrato das guerras e da crise de refugiados sensibilize quem acompanha esse movimento aparentemente à distância e logo se vê nesse contexto, seja vendo uma família síria por perto ou por elucidar os acontecimentos através do noticiário.

Mesmo selecionando 5 matérias com um recorte nacional, o veículo potencializou o assunto colocando em pauta ações sociais e demonstrou processos interculturais através desses exemplos sem deixar de relatar assuntos pontuais, como o caso de exploração de trabalho dos haitianos. Um ponto a ser mencionado é a região da cobertura das matérias, que foram concentradas em sua maior parte na região Sudeste, onde é a sede do veículo.
  

Fernanda K. A. de Sá

By | 2017-05-14T22:32:01+00:00 maio 12th, 2017|Relatorios 3-2016|0 Comments

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