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Relatório Brasil 247

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Relatório Brasil 247

Relatório

  1. Apresentação

Este relatório foi elaborado a partir da análise de notícias do veículo Brasil 247, site brasileiro de caráter privado com objetivo de trazer informações e análises políticas. O Brasil 247 foi o primeiro jornal brasileiro desenvolvido para celulares e tablets lançado em março de 2011 e idealizado pelo jornalista Leonardo Attuch, atual editor-responsável do site. Possui atualmente 9 seções e 15 páginas regionais. O jornal se define como fornecedor de informação plural e colaborativa.

Foram coletadas amostras de janeiro a maio de 2016. Por meio de categorias desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa “MIDIAMIGRA- Observatório de Migração e Comunicação Intercultural”, foi feita uma pré-seleção com o auxílio das notícias veiculadas no período estabelecido pelo site (http://www.brasil247.com/).

  1. Análise qualitativa dos dados

Na notícia “Estudante haitiano é agredido no Oeste do Paraná” publicada no dia 16 de maio de 2016, é informado o caso de agressão sofrido pelo estudante Getho Mondesi enquanto este se dirigia à rodoviária próxima do local. O relato provém das câmeras de segurança da da rua e descreve a briga com um grupo de homens em um bar, assim como houve injúria racial na fala de seus agressores, segundo Getho Mondesi no boletim de ocorrência. O jovem haitiano a ficar ferido na cabeça. Classificada na categoria “criminalização” e “preconceito” por constar que. Sua produção foi feita sem assinatura pelo veículo Brasil 247 da região do Paraná, trazendo então a região Sul como o local de cobertura. Possui valores notícias de dramaticidade e conflito e apenas a Polícia Civil como fonte oficial no texto. De caráter informativo, a notícia não traz nenhum tipo de contextualização sobre a migração haitiana na região sul do país que se faz uma forte realidade nos últimos anos, bem como o não posicionamento ou solução sobre o fato em questão. Não consta uma visão inclusiva sobre o próprio migrante em si ou faz uma reflexão sobre o ato violento dos agressores mesmo em se tratando de um migrante haitiano totalmente incluso na sociedade brasileira estudante de Administração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Outras notícias contendo teor negativos citados acima são “Polícia Federal diz que cumpriu a lei ao investigar professora estrangeira em MG” disponibilizada no site em 18 de maio de 2016, sem assinatura e com cobertura da região sudeste, caso da professora universitária italiana Maria Barbato por sua atuação política e sindical no Brasil. Na análise de categorias foi possível identificar tanto a temática criminalização bem como a ideia de Migrante ideal, visto que a pessoa em questão possui alta qualificação de mão-de-obra, é branca e de origem europeia. Só existe a fala do superintendente da Polícia Federal como fonte oficial e não há personagens, não constam dados. A notícia traz uma contextualização histórica sobre a aplicação da Lei 6.815/1980, conhecida como Estatuto do Estrangeiro. Seus valores notícia estiverem em dramaticidade, conflito e controvérsia. É interessante notar que tanto no olhar a qual a matéria é direcionada e sua reflexão se dá pelo embate da legitimidade de tal estatuto “[…] Perguntado sobre a pertinência da legislação sobre estrangeiros em vigor, Menezes (Polícia Federal) disse que considera o Estatuto exagerado. “Na minha opinião como cidadão e estudante de direito, entendo que algumas coisas são exageradas. Mas como policial federal e cumpridor da lei, não cabe a mim fazer essa análise. Cabe a sociedade junto ao Congresso alterar a legislação ou aos órgãos de atuação junto a Justiça defender a sua inconstitucionalidade. Fico até me perguntando como ainda não questionaram esse Estatuto”, disse. […]” concluímos então que não há uma visão positiva do migrante nesta notícia quando claramente o estatuto tem dispositivos incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.

Na reportagem “Mulheres já representam metade dos refugiados no Rio de Janeiro”, de 19 de abril de 2016, e a notícia “Migrantes são mais de 70% da população em situação de rua na capital paulista”, de 22 de abril de 2016, são colocados em números a realidade de migrantes que também estão dentro das 7 classificações com teor negativo. A primeira se trata da primeira de duas reportagens do Brasil 247, com cobertura na região sudeste e valores notícia de dramaticidade, apelo e conflito que exploram com profundidade a questão de gênero na migração contemporânea, por ser reportagem, conta com fontes oficiais e oficiosas, dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) além de contextualizar e apresentar a personagem congolesa Mireille Muluila, que descreve a receptividade de uma inclusão positiva de imigrantes, como instituição a Cáritas Rio de Janeiro que investe em curso de português, grupos de orientação e lazer e outros momentos de discriminação cultural e racial. “[…] Essas mulheres são vulneráveis, então, ajudo com a tradução, mas também sou como elas e sei os problemas que elas estão vivendo” ela confirmou que casos de racismo são relatados por grande parte dos refugiados negros. […]” Esta reportagem foi categorizada em “Preconceito” pelos relatos de racismo, apesar de possuir visão inclusiva sobre o migrante. Já na notícia que traz os migrantes como grande maioria das pessoas em situação de rua, os valores notícias de interesse público, apelo e dramaticidade. Assinada por Rudnei Barbosa e divulgado Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo o Censo da População de Rua é destrinchado em números. A notícia em si além de um tratamento informativo, não traz uma posição, contextualização ou solução sobre a vulnerabilidade em questão, foi categorizada como preconceito e tem cobertura na região sudeste. Os dados alertam para estrangeiros são oriundos principalmente de países africanos, 88% do sexo masculino, 69,7% dos acolhidos e 72,1% dos que estão na rua se consideram “não brancos” e o nível de escolaridade é baixo.

Apesar de possuir apenas 2 reportagens que se preocupam em aprofundar e debater a questão migratória, o Brasil 247 apresenta notícias que demonstram uma contextualização da migração (seis das onze notícias) seja esses textos que exemplificam a diversidade de nacionalidades em que ocorre os fatos (Haiti, Itália, Síria, República Democrática do Congo, Angola, China, irã) ou relatando os desdobramentos que determinaram a “fuga” daquele espaço: seja por guerra civil, perseguição política e religiosa, oportunidades trabalhistas e questões ligadas à fome e miséria. As fontes oficiais foram desde o Governo e órgãos que tratam especificamente das questões de mobilidade humana como o Conare e ONGs, Cáritas, ONU com a Acnur e Polícia Federal que trata em primeira instância do recebimento da pessoa em fronteira e seu “cadastramento”. Todavia, foram raras as notícias/reportagens do Brasil 247 em que a voz da/do migrante foi ouvida como fonte além de serem personagens, apenas seis pessoas explanaram histórias.

Em casos como “Estudante haitiano é agredido no Oeste do Paraná” era primordial a fala de tal migrante, uma vez que havia narrativas envolvendo crimes de racismo e o de criminalização por participação política-social de uma professora migrante na notícia “Polícia Federal diz que cumpriu a lei ao investigar professora estrangeira em MG”. Os dados podem e devem ser mais do que números, uma vez vindo a grande maioria das notícias com contexto, a contagem ainda é de pouca receptividade perto da “crise migratória” que ocorre na Europa atrelada ao passado de como o Brasil lida com a entrada de imigrantes ideais.

As matérias do Brasil 247 dão uma compreensão e permitem uma visão inclusiva mesmo quando possuem teor negativo, o restante é ambíguo ou não se posicionam perante a realidade migrante, mesmo que incluída violação de direitos, exploração e preconceitos. Aliado a essas temáticas seria necessário trazer a defasagem da Lei Migratória e Estatuto do Refugiado, caso que ocorre em apenas um uma matéria apenas para caracterizar o personagem como sub-cidadão.

  1. Análise quantitativa dos dados

Durante o período estabelecido, do mês de janeiro a maio do ano de 2016, na primeira amostra de notícias do veículo, com as palavras-chaves pré-estabelecidas, foi possível captar cerca de 100 matérias. Num segundo momento, após a leitura do material coletado, foram selecionadas para análise treze matérias, exatamente 13% do total, que correspondiam ao objetivo da pesquisa migração contemporânea para o Brasil, sendo elas onze notícias, aproximadamente 84,61% das matérias analisadas, e duas reportagens, aproximadamente 15,38%. Vale ressaltar que as matérias excluídas não tinham e nem faziam parte do nosso objetivo de estudo e foram captadas por identificações isoladas das palavras-chaves como imigrantes, refugiados, migrantes.

Com relação á produção das notícias, 2 matérias do veículo Brasil 247 foram assinadas pela agência de notícia nacional, 15,38% do total analisado, e 11 não têm assinatura, 84,61%. Referente aos tipos de fonte de cada matéria, 7 são oficiais, 53,84% do total analisado e 6 são oficiosas, 46,15%. Dos documentos analisados, todos os 13 tiveram como país de cobertura o Brasil, conforme sugerem as diretrizes da pesquisa. Quanto ao gênero dos repórteres das notícias analisadas, 1 era do gênero feminino, 1 do masculino e nas demais notícias a identidade do repórter não foi mencionada. Referente ás categorias da pesquisa, 4 matérias foram classificadas como criminalização, 30,76% do total analisado, 3 como diversidade, 23,07%, 1 como migrante ideal, 7,69%, 2 como preconceito, 15,38%  e  3 como trabalho, 23,07%.

As matérias foram classificadas a partir dos seguintes parâmetros: Análise temática de categoria, valor notícia, apresentação da (o) personagem, existência de dados, se a matéria apresenta possíveis soluções, observações de posicionamento, teor das notícias, qual olhar, migração no Brasil, visão sobre migrante e visão inclusiva.

Foi possível identificar que o Brasil 247 possui mais caracterizações negativas no teor de suas 11 notícias, sendo sete classificadas nas categorias de criminalização/preconceito/trabalho escravo. Essas notícias foram postas nestas posições por necessariamente englobarem matérias que relataram crimes cometidos por ou com migrantes/refugiados e que podem conter menções ao tráfico de pessoas, matérias que possuem violência/agressão em consequência de preconceitos e aquelas na categoria de trabalho onde aspectos da exploração e falta de regularização coloquem o indivíduo em vulnerabilidade social. É compreensível que maioria das coberturas regionais aconteçam no Sudeste (8 notícias e 2 reportagens) local onde há grande concentração de migrantes em situações que ferem os direitos humanos básicos e não garantem a sua diversidade cultural, sendo feitas em teor alarmista e de denúncia. A cobertura das demais notícias ocorreu na região Sul e outra na Centro-Oeste.

  1. Observações finais

Foi possível analisar que Brasil 247 no período estabelecido produziu muitas notícias/reportagens com temas diversos. O 247 por possuir seções regionais produziu bem levando em conta que a região Sul e Centro-oeste também estão presentes nas notícias, porém com o foco no sudeste do país, com notícias que variam entre inclusivas e outras retratando crimes/preconceitos.

Outra observação é a falta de repórteres assinando as notícias/reportagens, sendo apenas uma do sexo feminino na notícia “Refugiados recebem bicicletas para facilitar mobilidade” que parte de uma agência de notícias e não do próprio veículo. O/A migrante não é ouvido, suas falas contando as dificuldades sobre trabalho, linguagem e outros aspectos relacionados a uma negociação cultural não estão dentro da narrativa dos documentos analisados e outras questões que podem determinar a vida digna de um indivíduo.

By | 2016-12-22T10:12:41+00:00 dezembro 22nd, 2016|Relatórios|0 Comments

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