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EBC

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  1. Apresentação

            Este relatório foi elaborado a partir da análise de notícias do veículo de comunicação EBC (Empresa Brasil de Comunicação), instituição pública brasileira, criada em 2007 para fortalecer o sistema público de comunicação. É gestora dos canais TV Brasil, TV Brasil Internacional, Agência Brasil, Radioagência Nacional e do sistema público de rádio – composto por oito emissoras. Estes, por sua independência editorial, distinguem-se dos canais estatais ou governamentais. Os veículos da EBC tem autonomia para definir produção, programação e distribuição de conteúdos.

            Foram coletadas amostras referentes aos meses de junho a setembro de 2016. Por meio de categorias desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa “MIDIAMIGRA- Observatório de Migração e Comunicação Intercultural”, foi feita uma pré-seleção com o auxílio das notícias veiculadas no período estabelecido pelo site (http://www.ebc.com.br/). E foram classificadas com as seguintes categorias: Diversidade (Manifestações e expressões culturais estão dentro desse universo. Cultura: música, gastronomia, eventos artísticos) Criminalização (matérias que relatem crimes cometidos por e com migrantes ou refugiados; matérias que relacionem migração e tráfico de pessoas) O Migrante Ideal (notícias que apresentem enquadramento positivo sobre atuação de migrantes na sociedade brasileira). Preconceito/Xenofobia (notícias sobre violências/agressões cometidas a migrantes/refugiados; preconceito expresso por brasileiros a estrangeiros) e Trabalho (mão de obra sem regularização e trabalhadores autônomos). Dentre essas categorias a EBC apresentou duas (2) matérias que foram classificadas como Diversidade.

  1. Análise quantitativa dos dados

             Foram coletadas 5 (cinco) matérias que faziam referência com alguma palavra chave vinculada com o tema migração para o Brasil, que, não necessariamente, traziam a temática como conteúdo. Logo, dessas cinco, somente duas foram analisadas.

            Foi possível observar algumas características e recortes de cada texto. Referente ao gênero da/o repórter, o resultado foi equiparado, foram duas matérias, sendo uma produzida por um homem e outra produzida por uma mulher. sendo duas produções de notícias, não caracterizando um aprofundamento no conteúdo (reportagens jornalísticas), priorizando fontes oficiosas e especialistas. O total de fontes utilizadas nas reportagens foram três (3) especialistas, representando 33,33%, duas (2) fontes oficiais,  22,22%, e  quatro (4) personagens, 44,44%.

            Uma das matérias apresentadas, que leva o título de Professores revelam dificuldades de escolas em absorver imigrantes, apresentou os seguintes dados: que o Brasil possui em média 8.863 refugiados reconhecidos de 79 nacionalidades diferentes, e que o número de solicitação de refúgio cresceu 2.868% entre 2010 e 2015. Ambas foram produzidas na região Sudeste do Brasil e apresentaram soluções. Não foi possível perceber um posicionamento, pois tinham o caráter informativo com plena compreensão.

  1. Análise qualitativa dos dados

            Das duas matérias apresentadas pelo veículo, a matéria intitulada Comunidade islâmica tem crescido na capital paulista, publicada no dia 09 de julho de 2016, reforça que com a chegada de refugiados sírios, São Paulo passou a ter um número maior de muçulmanos. A matéria apresentou vídeo para um programa chamado Repórter São Paulo, sendo esse veiculado em programação local, mas com a linguagem abrangente para um entendimento nacional.

            O gancho noticioso parte do marco do final do Ramadã, que é o mês mais importante do calendário islâmico, no qual os muçulmanos praticam o jejum, ao final fazem orações e uma confraternização nas mesquitas. A equipe de reportagem aproveitou a cobertura do dia que marca o final deste período e apresentou uma relação com o crescimento de muçulmanos na cidade de São Paulo com a vinda de refugiados sírios para o Brasil. A matéria é dividida nitidamente em dois períodos, um que explica com detalhes e com entrevistas o que é, e como funciona o mês do Ramadã e outra parte que explica por quê essa comunidade tem crescido, justificando assim a presença maior de refugiados sírios. Na passagem do repórter, ele enfatiza que São Paulo já é um lugar que abriga pessoas de diferentes lugares do mundo, como turcos, egípcios, libaneses entre outros, mas que as mesquitas estão mais cheias em decorrência da vinda dos sírios.

            Uma das entrevistas é com o Presidente da Sociedade Beneficente Muçulmana em SP, Nasser Faris, com um depoimento sobre os refugiados, que abandonaram todos os seus pertences e vieram como ele relata “apenas com a roupa do corpo” para o Brasil na busca de um lugar tranquilo para a sobrevivência. Na fala, o entrevistado reforça como a comunidade islâmica os recebe e presta todo auxílio necessário.

            No decorrer da matéria, que apesar de ter um tema delicado e restrito, ela consegue ter uma noção de pluralidade e traça um último recorte, que o islamismo cresce também entre brasileiros. Nisso, retrata o perfil de uma mulher brasileira que não possui nenhuma origem árabe na família, que depõe ter aderido à religião por se sentir bem e na presença de Deus, que a fez se converter ao islamismo.

            A matéria, apesar de simples, partiu de um gancho temporal e conseguiu tocar em distintos pontos e angulações. Cada fonte conseguiu apresentar um caminho diferente e possivelmente isso se deu pela estrutura de pergunta do repórter e o resultado final foi de uma matéria bem elaborada. Apesar de falar num número maior de pessoas nas mesquitas, ou que a população síria cresceu na cidade, não apresentava números e dados que comprovassem isso, o que poderia ter acontecido com a menção de dados disponibilizados por alguma instituição competente. Apesar da falta dos números e dados, a matéria por si só apresentou e de certa forma, comprovou por meio das fontes, essa hipótese, pontuando sua principal característica, motivo da escolha pela categoria de análise, a diversidade.

            A segunda matéria analisada leva o título de Professores revelam dificuldades de escolas em absorver imigrantes, publicada em 28 de setembro de 2016. O texto parte de um dado apresentado no Seminário Aspectos Socioeducativos dos processos Migratórios, evento que foi realizado pela Fundação Casa de Rui Barbosa por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Eles observaram que as escolas e faculdades apresentam dificuldade em absorver estudantes refugiados no Brasil, pelas dificuldades na inserção dos conteúdos e na integração à estrutura educacional.

            Como a matéria parte do que foi dito num evento acadêmico, percebe-se que não existiu um trabalho de campo para entrevistar as fontes principais do tema, mas mesmo assim trouxe pontos relevantes para entender o problema relatado. O professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Luciano Aragão, relatou que entrevistou e analisou o caso das crianças congolesas e, em entrevista, disse que a falta de preparo das escolas brasileiras é geral por falta de investimento e estrutura. Uma das ações que amenizaram a situação foi relatado por uma diretora de escola que explicou juntamente com os pais o que era o refúgio, que fez elucidar um pouco sobre os casos e facilitar a interação.

            Foi selecionado um trecho da fala da professora da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Bianca Pires André, que estuda a integração de crianças filhos de migrantes na região. O trecho foi destacado na matéria com uma fonte maior, itálico e negrito no centro do texto com uma barra lateral, numa espécie de grande olho jornalístico, que dizia: “A professora explica que a integração depende muito da acolhida que a escola dá para estes alunos. “Acolhida não só como oferta de auxílio na aprendizagem do idioma, mas também a acompanhar o processo, acompanhar a família na escola, oferecer diversidade metodológica porque muitas vezes a gente também tem um ensino muito tradicional e não dá opção metodológica e tecnológica para criança poder se expressar.”. Para ela, só da professora avisar antes a turma que vem um aluno de outro país e explicar a situação dele pode já facilitar a integração desta criança.” Nitidamente, a escolha dessa fala propõe possibilidades de ação e de realização de micropolíticas para sanar problemas e para proporcionar a interculturalidade nas escolas, ou seja, foi possível observar que o parágrafo escolhido para ser um grande destaque na matéria, sugere uma fonte solucionadora.

            No final do texto, a matéria apresenta um intertítulo com dados da situação dos refugiados no Brasil, informando que haviaem média 8.863 refugiados reconhecidos de 79 nacionalidades diferentes, e que o número de solicitação de refúgio cresceu 2.868% entre 2010 e 2015. No final, a repórter retoma o tema da educação e diz que o ensino superior também enfrenta o mesmo problema. Em entrevista, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Isabela Cabral Felix, observa que na UFRJ, onde leciona, existe um esforço muito maior dos alunos em tentar integrar esses migrantes do que por parte dos professores e dos currículos oferecidos.

  1. Observações finais

            Foi possível analisar que a EBC, durante os meses de junho a setembro analisados, produziu pouco acerca do tema migrações no e para o Brasil, comparado à quantidade de notícias publicadas diariamente no site do veículo. Em geral, ao selecionarmos conteúdos com o assunto ‘migrações ou refugiados’ por exemplo, identificamos um número baixo de publicações, somente 5 (cinco), sendo 2 (duas) analisadas. Foi possível observar que o volume de notícias sobre migrações internacionais era muito maior do que nacionais e mesmo assim, em ambos aspectos, era um número baixo de matérias para um veículo como a EBC.

            Mesmo não sendo um trabalho consciente ou pesquisado pelos repórteres ou veículos, o que foi possível analisar nas matérias foi a noção e a tentativa de retratar a interculturalidade como fator principal e discutir novas possibilidades na sociedade brasileira. O reforço da integração e da diversidade produz, por meio do discurso midiático, novos olhares para culturas diferentes, criando assim narrativas para pensar possiblidades de coexistências. A primeira matéria parte de um marco no calendário islâmico e a partir disso, discute o aumento dos refugiados sírios, como a sociedade os tem recebido e como isso resulta no processo de aculturação, muito predominante na fala da brasileira que se converteu ao islamismo. Na segunda matéria, discute exatamente a dificuldade da instituição educacional brasileira em integrar novas culturas, empregando, pela fala de especialistas, onde está o problema e como traçar rumos para solucioná-los.

            Foi possível perceber a predominância de fontes personagens ou especialistas em ambas as matérias, o que para a linguagem técnica jornalística se constituiria como um problema, uma vez que não contrabalança com dados ou fontes oficiais que são importantes para o pensamento lógico da credibilidade positivista do jornalismo. Em contrapartida, podemos pensar que os relatos dos personagens e especialistas deram o tom que também credibilizaram a matéria, uma vez que por meio dessas pessoas foi possível gerar empatia e um entendimento melhor da necessidade de integração, seja pelos refugiados sírios em São Paulo, por sua religião, seja pelos estudantes congoleses no Rio de Janeiro.

By | 2017-04-10T11:57:09+00:00 abril 10th, 2017|Relatórios 2|0 Comments

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