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Brasil247

Brasil247

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  1. Apresentação

Este relatório foi elaborado a partir da análise de notícias do veículo Brasil 247, site brasileiro de caráter privado com objetivo de trazer informações e análises políticas. O Brasil 247 foi o primeiro jornal brasileiro desenvolvido para celulares e tablets lançado em março de 2011 e idealizado pelo jornalista Leonardo Attuch, atual editor-responsável do site. Possui atualmente 9 seções e 15 páginas regionais. O jornal se define como fornecedor de informação plural e colaborativa.

Foram coletadas amostras de junho a setembro de 2016. Por meio de categorias desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa MIDIAMIGRA- Observatório de Migração e Comunicação Intercultural, foi feita uma pré-seleção com o auxílio das notícias veiculadas no período estabelecido pelo site[1].

 

2.Análise quantitativa dos dados

 

No período citado, junho a setembro de 2016, foram coletadas 991 matérias do veículo Brasil 247. Entre elas haviam algumas repetidas, sendo assim após limpeza e análise mais aprofundada do conteúdo das notícias, 40 foram selecionadas por tratarem da migração para o Brasil, de acordo com as diretrizes da pesquisa. Vale ressaltar que as matérias excluídas não tinham e nem faziam parte do nosso objetivo de estudo e foram captadas por indexações inadequadas das palavras-chaves.

As matérias foram classificadas a partir dos seguintes parâmetros: análise de categoria, valor notícia, apresentação da(o) personagem, existência de dados, se a matéria apresenta possíveis soluções, observações de posicionamento, teor das notícias, qual olhar, migração no Brasil, visão sobre migrante e visão inclusiva.

 Do material captado, quatro são categorizadas primariamente como “criminalização”, 10% do total, sete como “diversidade”, 17,5%, cinco como “o migrante ideal”, 12,5%, 7,5% (3) como “preconceito”, 14, 35%, como “trabalho” e sete, 17,5% do total analisado, não foram classificadas, uma vez que seu conteúdo não se encaixava em nenhuma das categorias criadas. No que se refere às categorias secundárias, três, 7,5%, se inserem em criminalização, dez, 25%, em trabalho, cinco, 12,5%, em migrante ideal, duas, 5%, em diversidade, uma, 2,5%, em preconceito e as restantes (20% ou 50%) não receberam classificação.

 Em relação ao gênero do repórter, cinco­­­, 12,5%, matérias explicitaram o gênero masculino, quatro, 10%, o gênero feminino enquanto que as 31, 77,55%, restantes foram assinadas por uma agência de notícias. Os tipos de fontes utilizadas para desenvolver a notícia foram treze, 32,5%, oficiais, dezesseis, 40%, oficiosas, uma, 2,5%, especialista e dez, 25%, não usaram fontes deste tipo. Com relação à produção das notícias, a agência assinou vinte e uma, 52,5%, matérias sobre imigração, enquanto jornais e repórteres assinaram cinco, 12,5%, enviados especiais ao exterior assinaram três, 7,5%, e onze, 27,5%, matérias não tiveram assinatura.

O veículo contou com cobertura de 36, 90%, notícias nacionais e quatro, 10%, internacionais, nos Estados Unidos. A Região Sudeste contou com dez, 25%, matérias publicadas, três, 7,5%, matérias da Região Sul, 15, 37,5%, da Centro-Oeste, uma, 2,5%, do Nordeste, nenhuma do Norte e oito, 20%, matérias não especificaram a região de cobertura. O tipo de texto predominante foi a notícia, com trinta e oito, 95%, publicações, enquanto foram coletadas duas, 5%, reportagens.

 

  1. Análise qualitativa dos dados

 

As matérias foram classificadas a partir dos seguintes parâmetros: análise temática de categoria, valor notícia, apresentação da(o) personagem, existência de dados, se a matéria apresenta possíveis soluções, observações de posicionamento, teor das notícias, qual olhar, migração no Brasil, visão sobre o migrante e visão inclusiva.

Foi possível identificar que o Brasil 247 possui mais caracterizações negativas no teor de suas notícias, visto que a maioria falou do preconceito sofrido por migrantes. Em contrapartida, o veículo apresentou soluções para os problemas em suas notícias. É compreensível que a maioria das coberturas regionais aconteçam no Sudeste, local onde há grande concentração de migrantes, sendo feitas em teor alarmista e de denúncia. A cobertura das demais notícias ocorreu na Região Sul e Centro-Oeste, onde ocorreram coberturas relacionadas ao programa Mais Médicos devido ao fato da capital do país, e portanto foco das decisões, encontrar-se nessa região. O veículo também contou com coberturas de notícia internacionais como em reuniões da Organização das Nações Unidas(ONU), em que o atual presidente do Brasil, Michel Temer, deu declarações sobre a migração no Brasil.

A matéria Polícia Federal impede solicitantes de refúgio de retornar ao país, publicada no dia 29 de setembro, classificada como “Criminalização” foi uma das únicas em que migrantes foram ouvidos para relatar as más condições às quais foram submetidos por não possuírem documentação e isso acarretou o impedimento de entrada dos refugiados no Brasil. Após divulgação da situação pela mídia, o Comitê Nacional para os Refugiados [Conare], instituição vinculada ao Ministério da Justiça e Cidadania, por intermédio de seu presidente, orientou a Polícia Federal a liberar o reingresso deles no Brasil. A notícia não foi assinada e teve como região de cobertura o Sudeste. Contou com fontes primárias e oficiais de informação. Não apresentava dados nem personagens e teve tratamento informativo, visto que serviu para colocar o leitor a par da situação vivida pelos migrantes.

As matérias Temer quer liberar venda de terras a estrangeiros e Governo quer rever restrição de venda de terras a estrangeiros, publicadas no dia 25 de maio, MST promete novas invasões se Congresso aprovar venda de terras a estrangeiros, publicada no dia 4 de agosto, e Blairo defende a venda de terras para estrangeiros, publicada no dia 20 de junho, relataram a possibilidade de facilitação na compra de terras por estrangeiros. Tais notícias foram classificadas na categoria “O migrante ideal” por demonstrarem a crença do governo em estrangeiros para melhorar o país economicamente. O governo alegou que a medida será necessária para a ampliação de créditos com outros países e a quitação de dívidas, como o ministro da agricultura, Blairo Maggi, disse em uma das notícias: “Hoje estrangeiro não pode comprar terra. Isso tem uma consequência no crédito, porque os bancos de fora, que emprestam no Brasil, não podem receber as terras como garantia.”. A notícia MST reagirá a venda de terras para estrangeiros relatou que o líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse, em Belo Horizonte, que o MST reagirá com ocupações caso a venda de terras brasileiras a estrangeiros seja liberada.

Todas foram produzidas por uma agência de notícias nacional exceto a intitulada Governo quer rever restrição de venda de terras a estrangeiros, que foi assinada pela jornalista Lisandra Paraguassu. A região de cobertura de todas foi a Centro-Oeste, exceto a da notícia MST reagirá a venda de terras para estrangeiros que teve como região de cobertura a Sudeste. As matérias: MST reagirá a venda de terras para estrangeiros e Governo quer rever restrição de venda de terras a estrangeiros contaram com fontes oficiosas enquanto as demais tiveram fontes oficiais.

Dezesseis notícias classificadas na categoria “Trabalho” tiveram relação com o programa Mais Médicos que objetiva levar mais médicos para regiões onde há escassez e ausência de profissionais, mediante a contratação de médicos estrangeiros, principalmente cubanos. O programa prevê ainda mais investimentos em infraestrutura de hospitais e unidades de saúde em todo o país. As notícias trataram da substituição de médicos cubanos por brasileiros, conforme proposta do atual governo. A Organização das Nações Unidas, ONU e também o antigo governo, de Dilma Rousseff enfatizam o fato de que a maioria dos médicos formados no Brasil não quer trabalhar no interior e sim nas grandes cidades, como foi citado respectivamente nas matérias Até a ONU elogia o Mais Médicos, diz Humberto, publicada em 30 de junho e Dilma ao 247: viva os médicos cubanos!, publicada em 9 de junho, em que a ex-presidenta disse em entrevista: “Olha, se tirarem os médicos estrangeiros, o Mais Médicos acaba hoje. Porque os estrangeiros, especialmente os cubanos, são a grande maioria dos profissionais que participam do programa.”.

A matéria Temer pode desmontar o Mais Médicos e reduzi-lo à metade, publicada no dia 20 de agosto possui teor apelativo, pois divulga um vídeo do médico mineiro Helder Pinto em que ele condena o fim do programa como algo ruim e de extrema incompetência do atual governo. Segue um trecho da notícia que relata a fala do médico no vídeo citado: “Alerto que, se não for votada até o dia 29 de agosto de 2016 a Medida Provisória 723/2016 da Presidenta Dilma, que prorrogou por 3 anos a atuação dos médicos estrangeiros no Programa Mais Médicos (13 mil num total de 18 mil médicos), 600 médicos terão que deixar de atender a população imediatamente e um total de 7 mil deixarão de atender até o final desde ano de 2016″, disse ele no Facebook.

As matérias citadas acima, acerca do programa Mais Médicos foram produzidas por uma Agência de notícias nacional, exceto a entrevista Dilma ao 247(3): viva os médicos cubanos! que foi produzida por três jornalistas, Tereza Cruvinel, Leonardo Attuch e Paulo Moreira Leite, do 247. A região de cobertura de tais notícias foi a Centro-Oeste. Todas essas notícias contaram com fontes primárias de informação e oficiosas, exceto a entrevista que contou com fonte oficial, a ex-presidenta, Dilma Rousseff.

 As matérias: Arquivo Público de SP tem aumento de 50% nas emissões de Certidões de Imigração, publicada em 22 de agosto e Número de imigrantes cresce 160% em 10 anos, publicada em 25 de junho, relataram o crescimento do número de migrantes no Brasil, o motivo suposto pelas matérias foi o fato do Brasil estar se desenvolvendo e por isso precisando de trabalhadores para continuar o processo. A segunda notícia trouxe dados da Polícia Federal que confirmam esse crescimento: “O número de imigrantes registrados pela Polícia Federal no Brasil aumentou 160% em dez anos. Segundo dados da PF, 117.745 estrangeiros deram entrada no país em 2015 – um aumento de 2,6 vezes em relação a 2006 (45.124). Os haitianos lideraram o ranking de chegada ao país pelo segundo ano consecutivo. Foram 14.535 registrados pela PF em 2015. A nacionalidade é a que mais se destaca pelo crescimento nos últimos cinco anos.”

Tais notícias foram classificadas na categoria “Diversidade” e produzidas por uma Agência de notícia nacional. A notícia Arquivo público de SP tem aumento de 50% nas emissões de Certidões de Imigração, teve como região de cobertura o Sudeste e a outra matéria não especificou a região de cobertura. As fontes de ambas as matérias foram primárias, sendo que as da notícia: Arquivo Público de SP tem aumento de 50% nas emissões de Certidões de Imigração, são oficiosas e as da Número de imigrantes cresce 160% em 10 anos, são oficiais.

Em meio a todas as notícias de teor negativo algumas chamaram atenção ao apresentarem soluções para a melhoria de vida dos migrantes no Brasil. Essas notícias foram classificadas na categoria “Diversidade”. Uma delas, Analistas elogiam PL que garante a estrangeiros participação em atos políticos, publicada em 8 de julho, cita o projeto de lei que garantirá participação dos estrangeiros em atos políticos como o voto ou ocupação de cargos. Trata-se de uma modificação no chamado Estatuto do Estrangeiro que até então não permitia a participação de migrantes em atos políticos, o que contribuía mais ainda para que seus interesses não fossem representados. Reformas nas leis brasileiras de migração também foram citadas nas seguintes matérias: Governo vai criar Comitê de Políticas de Migração, publicada em 8 de junho, e Entidades pedem nova Lei de Migração e direito a voto para estrangeiros, publicada em 10 de julho.

As notícias acima citadas não tiveram assinatura, exceto a intitulada Governo vai criar Comitê de Políticas de Migração que foi produzida por uma agência de notícias nacional. Tiveram como região de cobertura o Centro-Oeste, exceto a Entidades pedem nova Lei de Migração e direito a voto para estrangeiros que teve como região de cobertura o Sudeste. Tais matérias contaram com fontes primárias, sendo que a Governo vai criar Comitê de Políticas de Migração teve fonte oficiosa, a Entidades pedem nova Lei de Migração e direito a voto para estrangeiros, oficial e a Analistas elogiam PL que garante a estrangeiros participação em atos políticos contou com fonte especialista.

A matéria Organizadores de fórum sobre migrações convocam sociedade em ato no Masp, publicada em 7 de julho e classificada na categoria “Diversidade”  trata de um fórum de discussões que ocorreu em São Paulo com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre termos, situações e dados específicos da migração no Brasil. A notícia cita o relato de um dos participantes: “Temos de entender o que é refúgio e o que é migrante. Nas duas situações, temos de olhar para o ser humano e não para o capital, afirmou um dos membros do Comitê internacional do Fórum, Miguel Ahumada.” E atenta sobre a necessidade da discussão do assunto: “Ahumada informou que a sociedade civil e os governos precisam começar a se interessar pelo tema, que já entrou para a agenda de diversos países.”

A matéria citada acima foi produzida pela jornalista Rovena Rosa, trata-se de uma notícia e teve como região de cobertura o Sudeste. Além disso, contou com fonte primária e oficial.

Na categoria criminalização, a matéria Estudo mostra que estrangeiros são maioria entre presos por tráfico em Guarulhos, publicada no dia 1º de agosto, fala sobre uma pesquisa que constatou os estrangeiros como maioria dos presos por tráfico. A pesquisa relatada na matéria objetivou um maior conhecimento dos réus para que eles pudessem ser retirados do mundo do crime por meio de um maior auxilio. Um dos apoios já em andamento é a construção de um albergue em Guarulhos para abrigar os que já resolveram sua situação na Justiça. Tal notícia foi produzida por uma agência de notícia nacional, teve como região de cobertura o Sudeste e contou com fonte primária e oficiosa de notícia. Teve tratamento informativo e sem aprofundamento, sendo assim classificada como notícia.

A matéria Justiça manda arquivar investigação da PF contra professora estrangeira da UFMG, enquadrada na mesma categoria e publicada no dia 3 de junho, fala sobre a investigação da professora Maria Rosaria Barbato, italiana e vivendo há 8 anos no Brasil, acusada de militância em partidos políticos e participação em atividades partidárias e sindicais, o que, para a PF, violaria a Lei 6.815/1980, conhecida como Estatuto do Estrangeiro. O juiz, Murilo Fernandes de Almeida, responsável pelo caso, decretou o arquivamento da investigação, pois do seu ponto de vista a violação da Lei 6.815/1980, prevista na investigação, contradiz os princípios de liberdade de expressão contidos na Constituição Federal, como foi relatado na notícia: “o respeito devido à dignidade de todos os homens não se excepciona pelo fator meramente circunstancial da nacionalidade.” Para o magistrado, as vedações impostas aos estrangeiros pela Lei 6.815 não foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988. O pluralismo político assegura ao indivíduo a liberdade para se autodeterminar e levar a sua vida como bem lhe aprouver, imune à intromissão de terceiros, sejam elas provenientes do Estado ou mesmo de particulares.” Tal conteúdo foi classificado como notícia, não possui assinatura e teve como região de cobertura o Sudeste. Além disso contou com fonte primária e oficial.

As matérias do Brasil 247 são claras em suas proposições e mostram os dois lados de um conflito, desse modo não sendo tendenciosos, os documentos analisados que não foram citados neste relatório se devem ao fato de serem ambíguos ou não se posicionam perante a realidade migrante, mesmo que incluída violação de direitos, exploração e preconceitos. Aliado a essas temáticas e as implicações negativas que alguns fatos relatados têm sob os migrantes seria necessário trazer a defasagem da Lei Migratória e Estatuto do Refugiado.

 

  1. Observações finais

 

Foi possível analisar que Brasil 247 no período estabelecido produziu muitas notícias/reportagens com temas diversos. O 247, por possuir seções regionais, produziu bem, levando em conta que a Região Sul e o Centro-oeste também estão presentes nas notícias, porém, com o foco no Sudeste do país, com notícias que variam entre inclusivas e outras retratando crimes/preconceitos.

Outra observação é a falta de repórteres assinando as notícias/reportagens, sendo a maioria sem assinatura ou assinada por agência de notícias e não pelo próprio veículo. A maioria das matérias é de interesse e alcance nacional, tratando dos impactos dos migrantes na vida do brasileiro, e poucas trataram das dificuldades do migrante no Brasil.

Maria Carolina

[1] http://www.brasil247.com/

By | 2017-04-10T12:01:20+00:00 abril 10th, 2017|Relatórios 2|0 Comments

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